Enem 24 de Janeiro de 2017

Comunicado à imprensa

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal responsável pelas avaliações da educação brasileira, esclarece que é impossível afirmar que há disparidade entre as notas dos candidatos das duas aplicações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma vez que os percentuais de acerto não são divulgados. O simples depoimento de candidatos é insuficiente: eles não ficam com seu cartão de resposta e é comum a marcação errada desses cartões. Além disso, dois alunos podem ter a mesma quantidade de acertos em uma prova e ter médias de proficiência diferentes, uma vez que os itens podem ter parâmetros diferentes de dificuldade.

São igualmente improcedentes as explicações que tratam os parâmetros dos itens como “pesos” e supõem que a divulgação dos “pesos” possibilitaria a reprodução dos cálculos a partir apenas de ponderações. As diferenças entre os grupos de alunos avaliados nas três aplicações do Enem em 2016 não interferem nos resultados, pois o cálculo das proficiências é processado em uma única base de dados. A nota é resultado da relação entre o participante e o item, e não entre o participante e o grupo.

Não foi a primeira vez que o Enem teve provas diferentes, embora equivalentes. Todos os anos, o Inep aplica pelo menos duas provas do Enem: a regular e a prova para pessoas privadas de liberdade (PPL), que sempre foram equilibradas com o mesmo grau de dificuldade. Portanto, a necessidade da segunda aplicação do Enem em 2016 não afetou os resultados de nenhum grupo especificamente. O grau de dificuldade das três provas aplicadas em 2016 – 1ª e 2ª aplicações e PPL – é garantido pelos parâmetros dos itens e pela aplicação da Teoria de Resposta ao Item.

Entenda a TRI - O edital do Enem, que é seu marco regulatório, explicita que as provas serão corrigidas pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizada para o cálculo dos resultados dos candidatos inscritos no Enem desde 2009. Essa metodologia, consagrada em avaliações e por diversos organismos internacionais, permite comparar estudantes que fazem diferentes provas, uma vez que considera cada item e seus parâmetros estabelecidos em pré-testes.

Por meio da aplicação desses pré-testes é possível detectar, em cada item, três parâmetros: grau de dificuldade, grau de discriminação e potencial de acerto ao acaso. A partir desses parâmetros podem ser escolhidos diferentes itens para compor diversas versões de provas com características métricas equivalentes em todas elas. Isso garante isonomia e a consequente comparabilidade entre varias versões de prova.

A TRI não contabiliza apenas o total de acertos. Embora exista uma relação entre o número de acertos e a proficiência, esta não é apenas o percentual de itens acertados. Isso explica o fato de pessoas com o mesmo percentual de acertos poderem obter proficiências diferentes, dependendo do padrão de questões acertadas.

A análise que compara os resultados dos alunos a partir do percentual é a Teoria Clássica de Testes (TCT). Diferentemente da TRI, a TCT considera a totalidade da prova, e não os itens em separado. Ou seja, quanto mais questões o aluno acertar, maior será a sua nota. O fato de a TCT ser amplamente utilizada nas escolas brasileiras e, por isso, ser de maior conhecimento e de mais fácil entendimento pelos alunos, tende a confundir os candidatos quando recebem seus resultados do Enem. Ainda mais porque a maioria das escolas, mesmo em simulados para o Enem, continua utilizando a TCT (quantidade de acertos ou porcentagem) para a correção.